A cada 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. A mensagem das Nações Unidas para o ano de 2019 gira em torno da poluição do ar e é um chamado para ajudar a combater este problema grave que afeta a milhões de pessoas no mundo inteiro.   [caption id="attachment_13917" align="aligncenter" width="675"]Fresh Air in South America Somente 12% da população mundial respira ar limpo / Foto: Rcn Radio[/caption]   Foi demonstrado que metade da população que mora nas cidades está exposta a uma poluição de até 2.5 vezes acima dos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo a um estudo realizado em 1.600 cidades de 91 países, foi demonstrado que somente um 12% da população mundial respira ar puro. Por mais que nesse estudo foi comprovado que a América Latina não é uma das regiões mais poluídas, (como o Oriente Médio, a Ásia e África), muitas das suas cidades ultrapassaram o limite de 20u/m3 recomendado pela OMS. Especificamente cinco países latino americanos aparecem entre os 50 com os piores índices de poluição do ar no mundo segundo o Relatório Mundial da Qualidade do Ar de 2018 de Air Visual e Greenpeace. O Peru encabeça a lista no posto 21, seguido pelo Chile no 26, México no 33, Brasil no 44 e Colômbia no 50. Se falamos das capitais, Santiago do Chile ocupa o vigésimo lugar com a pior qualidade do ar, Lima o 22, Cidade do México o 30 e Bogotá o 44 no ranking mundial (em menos de um mês e meio Bogotá decretou três vezes emergência ambiental pela má qualidade do ar).   [caption id="attachment_13918" align="aligncenter" width="675"]Fresh Air in South America Entre as capitais com a pior qualidade do ar, Santiago ocupa o vigésimo lugar, Lima o 22, Cidade do México o 30 e Bogotá o 44. / Foto: Rcn Radio[/caption]   Não é fácil calcular o nível exato de poluição que uma cidade possui. As variantes que entram em jogo são muitas, e todas elas possuem critérios de medição diferentes. Este relatório é baseado em medir especialmente o nível das pequenas partículas poluentes PM 2.5 - as menores e mais prejudiciais, por poderem penetrar diretamente nos pulmões - é, por isso, o melhor indicador dos riscos para a saúde da poluição ambiental. O nível “razoável” destas partículas é uma média anual de até 10 microgramas por metro cúbico. Se a presença é maior a esse número pode-se considerar que existe uma contaminação prejudicial para a saúde e se é menor, que o ar é considerado limpo. Mas nem tudo está perdido, na América do Sul ainda existem destinos onde podemos respirar ar puro e hoje vamos mostrar o nosso top 3:

Salvador da Bahia, Brasil

É considerada a cidade latino americana que possui o ar mais limpo porque na média anual foi indicado que estavam suspensos no ar 9 microgramas de PM 2.5 por metro cúbico. Praias, reservas florestais, rios, lagunas, recifes e muita vegetação fazem parte da denominada Linha Verde, protegida ecologicamente por uma fundação de defesa da natureza. Um dos seus povoados conserva a reserva mais importante de tartarugas do Brasil. Tudo isso, e seu quase um milhão de habitantes que tem um enorme respeito pelo meio ambiente e cuidam para manter a descontaminação, influenciam diretamente para uma menor poluição ambiental.   [caption id="attachment_13919" align="aligncenter" width="675"]Fresh Air in South America Salvador da Bahia é a cidade com o ar mais puro da América do Sul / Foto: Daytours4u[/caption]  

Ibarra, Equador

Está no segundo lugar porque também marcou 9 microgramos de PM 2,5 mas contabilizou 18 microgramos de PM 10, enquanto Salvador o nível de PM 10 foi de 17. Uma das razões para que Ibarra tenha o ar limpo, como explica Segundo Fuentes, subsecretário de Ambiente, é que na cidade entram pelo Vale del Chota muitas correntes de ar provenientes da costa. Junto à isso, circulam carros relativamente novos, a pouca presença de indústrias e projetos de reflorestamento e conservação são alguns dos fatores que permitiram a Ibarra manter seu ar limpo.   [caption id="attachment_13920" align="aligncenter" width="675"]Fresh Air in South America Circulam carros relativamente novos, a pouca presença de indústrias e projetos de reflorestamento e conservação são alguns dos fatores que permitiram a Ibarra manter seu ar limpo / Foto: Marcelo Quinteros[/caption]  

Montevidéu, Uruguai

Em 2018, a capital uruguaia surpreendeu a todos com uma pontuação quase perfeita na exposição crônica das partículas PM 2.5, bem acima da maior parte das suas contrapartes na América Latina. O prevalecimento dos ventos, seu relevo sem grandes acidentes topográficos e a proximidade do Rio da Prata brindam a Montevidéu uma situação favorável para a dispersão natural de qualquer contaminante. As atividades que constantemente condicionam a qualidade do ar são a queima de combustível para o transporte e a indústria, o uso de lenha para fins comerciais ou residenciais, a geração de energia elétrica com centrais térmicas e a queima de resíduos a céu aberto. O governo de Montevidéu tomou medidas corretas, entre elas: uma rede de monitoramento da qualidade do ar confiável com relatórios anuais desde 2005, um programa nacional de incentivo à mobilidade sustentável e o uso de ônibus elétricos.   [caption id="attachment_13921" align="aligncenter" width="675"]Fresh Air in South America O prevalecimento dos ventos, seu relevo sem grandes acidentes topográficos e a proximidade do Rio da Prata brindam a Montevidéu uma situação favorável / Foto: Daytours4u[/caption]   Informação extra: Vale a pena mencionar Buenos Aires, pois a capital argentina possui a menor quantidade de partículas contaminantes comparada com Quito, Assunção, São Paulo, Caracas, México DF, La Paz, Santiago do Chile, Bogotá e Rio de Janeiro, embora possua uma maior quantidade do que Guadalajara e São José da Costa Rica, levando em conta algumas cidades grandes da região.

Como contribuir para garantir ar puro para todos?

- Reduzir a circulação de veículos e apostar no transporte público como a pedra angular para desenvolvermos um ar mais limpo. Mas não existe uma única solução, cada cidade deve encontrar a mais adequada à sua orografia, clima e circunstâncias. - Evitar o uso de pinturas, óleos, solventes e aerosois. - Renovar a frota de ônibus com modelos híbridos ou de hidrogênio e promover o uso de veículos compartilhados ou de carros elétricos, que se alimentam de energia verde é mais limpo que qualquer motor de combustão. Dica Extra: Sempre existe a possibilidade de ir além sem esperar pelas decisões políticas, por exemplo, optando pela eletricidade renovável. - A bici é uma grande aliada da mudança de mentalidade que precisamos. De fato, para as novas gerações ter um carro não é uma prioridade. Em Copenhague o 50% dos estudantes se transportam de bici, na Alemanha foi inaugurada a primeira estrada para bicicletas e na França a iniciativa “Indemnité Kilométrique Vélo” paga 25 centavos de euro por quilômetro aos empregados que vão ao trabalho de bicicleta, em mais de 20 empresas. Dica Extra: Webs e aplicativos como os desenvolvidos por Aqicn.org e World Air Quality Index Project permitem conhecer a qualidade do ar em tempo real em mais de 60 países do mundo. Enfim, seja por saúde pública ou pela mudança climática, seja pelos nossos pulmões ou pelo bem-estar das nossas futuras gerações, seja para poder desfrutar do entardecer sem um muro de gases contaminantes que nos impeça de ver o sol, o mar e as montanhas, é vital procurar um ar mais puro, limpo e natural em todas as cidades. Se lhe interessa receber dicas eco-friendly para sua vida cotidiana e para suas viagens, siga-nos no Instagram e faça parte da nossa campanha #GuestOfHonor.

Por: Nathaly Bosch, venezuelana, comunicadora social por profissão e viajante curiosa por escolha. Redatora em espanhol para Daytours4u.